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Página de Memória de Jaime Esteves:

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Fotografia de Jaime Luciano Esteves

A presente fotografia foi colorida pelo AFDS, ao abrigo do projecto “Verdade Fingida“. Não pretende ser um documento histórico, mas sim um exercício activo de escuta e devolução. Uma leitura estética e emocional, não para substituir o passado, mas para o revisitar.

Retrato antigo de uma pessoa, identificada como natural de Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa – Arquivo Fotográfico do Douro Superior, #ProjectoReferentes.
AFDS_114_73_FR Jaime Luciano Esteves

Apresentamos uma biografia, com base na investigaçções de Didier Borrego e de Vanessa Santinhos:

Dados biográficos

Jaime Luciano Esteves nasceu a 19/01/1892, em Freixo de Numão. Foi baptizado em casa, “por perigo de vida“, no dia 05 de Março. A cerimónia teve por testemunhas Artur Luciano Rebello, sapateiro, e a sua irmã Dorothea dos Prazeres Saraiva. Ambos Solteiros. Jaime Luciano Esteves faleceu em 1970

Casou no dia 15 de Maio de 1915, com Margarida da Conceição Risca. A sua esposa nasceu no dia 11 de Abril de 1897, também em Freixo de Numão, e foi baptizada no dia 28 de Dezembro. O seu padrinho foi o Bacharel António Cândido Pires e Vasconcelos, solteiro e proprietário. Margarida da Conceição faleceu no dia 22 de Abril de 1988, com a bonita idade de 91 anos.


Ascendentes

Pais

Era filho de Manoel dos Santos Esteves e de Maria Augusta do Lobão, ambos jornaleiros e moradores na Rua do Castelo, em Freixo de Numão. Haviam casado 22 anos antes. no dia 31 de Janeiro de 1870.

Avós Paternos

Era neto paterno de João de Seixas Esteves e de Josefa Joaquina Freixinha, jornaleiros e proprietários em Freixo de Numão.

Avós Maternos

E neto materno de José Maria Lobão, cego, e de Maria Delfina da Rosária. Estes também Jornaleiros e proprietários em Freixo de Numão.

Este casal teve ainda os seguintes descendentes (informação recolhida pela colabora ocasional Vanessa Santinhos):

1- Maria Augusta de Lobao. Casou com Manuel dos Santos Esteves, este filho de Joao de Seixas Esteves e Josefa Marcelina. Tiveram:

1.1 Jaime Luciano 20/3/1873

1.2 Herminia da Graça 5/8/1874 e falecida aos 1/8/1962

1.3 José Maria Esteves (24 anos quando casou, falecido aos 22/11/1951) casou aos 25/11/1895 com Margarida de Jesus (9/8/1874, falecida aos 3/12/1962), filha de José Maria Coelho e Antonia de Jesus.


Ascendentes da Esposa, Margarida da Conceição Risca

Pais

Margarida da Conceição era filha de António Augusto Frade e de Maria Adelaide Risca, igualmente naturais de Freixo de Numão.

Avós Paternos

Era neta paterna de José dos Santos Frade e de Maria Bernarda Ferreira, também naturais de Freixo de Numão;

Avós Maternos

Era neta materna de Maria Risca, de Freixo de Numão, e de avô incógnito.


Descendentes de Jaime Luciano Esteves e de Margarida da Conceição Risca:

Maria Cândida Freira Esteves. Nascida a 05 de Maio de 1916, em freixo de Numão. e falecida em 28 de Janeiro de 1992, com 75 anos. Casou em freixo de Numão, no dia 05 de Fevereiro de 1938, com Joaquim Lourenço Brilhante.

Antónia Augusta Esteves. Nascida a 01 de Setembro de 1919 e falecida em 14 de Setembro de 2008, com 89 anos. Casou em 29 de Abril de 1939, com Mário da Fonseca Martinho. Este faleceu a 17 de Fevereiro de 1958 (por confirmar).

Maria Joaquina Esteves. Nascida a 28 de Fevereiro de 1922, em Freixo de Numão, e falecida em 05 de Novmbro de 2012, em pragal, Almada. Casou no dia 12 de Outubro de 1940, em Freixo de Numão, com Álvaro Augusto Ramos. Este falecido em 08 de Maio de 1951.

Adelaide Esteves (…)

Vida Militar

Jaime Luciano Esteves participou na Primeira Guerra Mundial, tendo integrado o Corpo Expedicionário Português (CEP), em 1916. Foi incorporado no Regimento de Infantaria nº9 de Lamego. Embarcou para França, provavelmente em 22 de Março de de 1917, com o seu regimento.


Se algum dos interessados desejar as fontes bibliográficas destes elementos, faça o favor de as solicitar ao Didier Borrego ou à Vanessa Santinhos, uma vez que foram eles que iniciaram este estudo.


Continuum

“Dobramos o Tempo. Ligamos pessoas à sua História.”

Até à data ainda não nos encontrámos com nenhum descendente de Jaime Luciano Esteves.


Precisamos de saber informação acerca de:

Para o Projecto do Mapeamento das Famílias:

  • Genros e Netos de Jaime Esteves.

Para o Projecto do Mapeamento da Diáspora:

  • Lugares onde se radicaram.

Um nascimento no limiar da modernidade

Jaime Luciano Esteves nasceu a 19 de Janeiro de 1892, numa Europa que se inquietava com o futuro e num Portugal que oscilava entre o romantismo do passado e a ansiedade do progresso. Reinava D. Carlos I, o último rei verdadeiramente livre da monarquia constitucional, homem culto e melancólico, que sonhava modernizar o país enquanto a instabilidade política corroía o trono.

O governo estava nas mãos de João Crisóstomo de Abreu e Sousa, e o país atravessava um tempo de crise financeira profunda. O Ultimato inglês de 1890 ainda pesava sobre a memória nacional, e o ressentimento patriótico alimentava o florescente movimento republicano. As ruas de Lisboa fervilhavam de panfletos, e a imprensa, entre censuras e suspensões, começava a preparar a revolução de ideias que culminaria, menos de duas décadas depois, na implantação da República.

Mas o Portugal de 1892 não era apenas o da ruína e do desânimo. Era também o da luz elétrica que começava a chegar às cidades, das primeiras máquinas fotográficas portáteis, dos bondes elétricos e dos teatros cheios. No Chiado, nasciam livrarias e revistas literárias; o Teatro D. Amélia (atual São Luiz) abria as portas com pompa burguesa, e o realismo literário cedia lugar ao simbolismo e ao decadentismo, anunciando o espírito que viria a florescer em Orpheu.

Em 1892, Cesário Verde já era lido como um precursor, Eça de Queirós era uma voz madura da língua, e António Nobre — com o seu , publicado nesse mesmo ano — transformava a melancolia portuguesa em arte moderna. Poucos anos depois, os ecos desse lirismo contido moldariam toda uma geração.

Lá fora, o mundo movia-se depressa. O telégrafo unia continentes, Thomas Edison e Nikola Tesla disputavam a supremacia da eletricidade, e o automóvel deixava de ser curiosidade para se tornar promessa. A Europa preparava-se, sem o saber, para a grande catástrofe de 1914 — mas, nesse janeiro de 1892, a fé no progresso parecia infinita.

Nas artes, Claude Debussy e Erik Satie quebravam as fronteiras da música tradicional, enquanto os impressionistas levavam a pintura ao limite da luz. O mundo tornava-se moderno, fragmentado e veloz — um espelho da inquietação que marcaria toda a geração de Jaime Luciano Esteves.

Nascer em 19 de janeiro de 1892 era nascer no prelúdio de um novo século. Um tempo em que Portugal ainda olhava o mar com saudade, mas já pressentia o ruído das fábricas e das locomotivas. Um tempo de poetas e engenheiros, de impérios em ruína e de máquinas em ascensão.

Jaime Luciano Esteves nasceu, pois, entre o fim do mundo antigo e o início do mundo elétrico. Entre o mito e a modernidade — no instante exato em que a História trocava de pele.


Qualquer informação é importante para o desenvolvimento dos Projectos do AFDS. Se quiser contribuir, toque na imagem em baixo e preencha o formulário (as perguntas que não souber, não responda).

*Para informação referente a esta fotografia, tem de referir SEMPRE a referência AFDS_114_73_FR

O Arquivo Fotográfico do Douro Superior agradece a colaboração de todos.

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